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A ILUSÃO DO NINHO CHEIO

A gente que é mãe de mais de um carrega umas ilusões. Como a gente passa praticamente duas décadas com a "casa cheia e barulhenta", isso vira um padrão pra gente. E a gente acha que será assim indefinidamente, e não aprende a viver no silêncio. A gente também acha que os filhos serão sempre próximos uns dos outros, os melhores amigos. Pode ser e pode não ser. Esquecemos que também existe ciúme, diferença enorme de temperamentos, do outro ser o preferido, e isso ao longo da vida pode não deixar nascer entre eles a amizade inabalável que a gente romantiza. A gente  acha que sempre nos pedirão orientação, conselhos sobre o que fazer na e da vida, e a verdade é que a vontade de autonomia na maioria das vezes fala mais alto, e podemos nos sentir esquecidos quando na verdade é a vida seguindo o seu curso. Mas isso não quer dizer que a gente não sofra, porque comeca um período de adaptação que a gente não solicitou, o de como começar a viver sem eles. A gente tem  a ilusão de qu...

LUTO(S)

O "S" indica que nessa vida muitas coisas morrem: lugares, relacionamentos, fases e pessoas mesmo. Por isso o luto em psicanálise é um tema recorrente. Abordado desde a primeira vez que uma pessoa entra no consultório e senta na poltrona ainda de frente para o analista para fazer sua primeira entrevista. Lidar com perdas não têm receita: cada um age e reage à sua maneira diante de algo que  se foi pra sempre. E normalmente a gente se desespera, não quer deixar ir, se agarra ao passado. Não fazer o luto é isso: manter-se apegado a uma lembrança, a um fantasma. São muitos lutos desde a infância: o desmame, seja do peito ou da mamadeira, a chegada de um irmão ou uma irmã que tira nosso trono do preferido da mamãe e do papai, a entrada na vida escolar onde a pessoa que nos cuida não fica mais full time com a gente, a adolescência,  o abandono desta para entrar na vida adulta e por aí vai. A quantidade e a intensidade de lutos que se faz ou se precisa fazer é de cada um, não...

DESISTIR?

A gente tem vergonha de desistir. Essa "palavra" (lá vem o significante de novo rs) denota covardia. Fraqueza. Cagaço. Mas por que diabos não podemos ser fracos ou covardes? Ou talvez tem horas que não se trate disso, mas de um extremo cansaço de levar o que não estamos mais conseguindo carregar. E aí a gente fica com bola de ferro acorrentada nos pés chamada  "opinião formada sobre tudo" ou "nasci assim não vou mudar". Por que não? Desistir não torna a gente um fiasco. Fiasco é fingir que se está no jogo violentando e sendo violentado pelo outro. Violentado na dignidade da alma.Eu não quero violar minha própria alma...você quer? Desistir não torna a gente incapaz. Fingir tanto tempo é que nos torna incapazes. De amar e se deixar ser amado. Fingir o que não se é, essa sim, é a maior das violências a que nos submetemos. ela se torna um auto flagelo, e o bater da corda nas nossas costas vai deixando rastro de pele e sangue. Desistir não nos faz piore...