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LUTO(S)

O "S" indica que nessa vida muitas coisas morrem: lugares, relacionamentos, fases e pessoas mesmo. Por isso o luto em psicanálise é um tema recorrente. Abordado desde a primeira vez que uma pessoa entra no consultório e senta na poltrona ainda de frente para o analista para fazer sua primeira entrevista. Lidar com perdas não têm receita: cada um age e reage à sua maneira diante de algo que  se foi pra sempre. E normalmente a gente se desespera, não quer deixar ir, se agarra ao passado. Não fazer o luto é isso: manter-se apegado a uma lembrança, a um fantasma. São muitos lutos desde a infância: o desmame, seja do peito ou da mamadeira, a chegada de um irmão ou uma irmã que tira nosso trono do preferido da mamãe e do papai, a entrada na vida escolar onde a pessoa que nos cuida não fica mais full time com a gente, a adolescência,  o abandono desta para entrar na vida adulta e por aí vai. A quantidade e a intensidade de lutos que se faz ou se precisa fazer é de cada um, não...

O SUJEITO E A FALTA

A psicanálise se presta a apresentar a pessoa à sua própria falta e sua ausência de sentido. Todos temos essa falta que nos constitui, a qual Freud se referia como um objeto perdido a ser encontrado, sentido a ser desvendado. Lacan foi além e situou o sujeito como dividido pelo inconsciente e faltoso desde sempre, embora o desejo humano propicie encontrar durante a vida vários objetos que podem dar uma sensação temporária de completude, mas que logo volta ao estado original da falta. Porque a falta é, ela não está. Ela nasce com a gente. Cada pessoa vai perceber essa insatisfação original de uma maneira, e a psicanálise pode entrar nessa seara no intuito do sujeito se deslocar pela vida mesmo nessa falta. Ela não precisa necessariamente virar uma doença ou um transtorno, embora não seja fácil para nós lidar com ela. Não queremos nunca que haja falta, mas assim mesmo ela se apresenta em toda sua plenitude, na solidão de nós mesmos. O que nos resta é aprender que ela está ali, mas não...