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A DOR DE VIVER

Esconder de nós mesmos a dor de viver nos torna cínicos, superficiais e maléficos à propria subjetividade. Sendo cínicos e superficiais, ficamos incapazes de estabelecer canais de palavra plena com qualquer habitante dos quatro cantos. A dor de viver é tão real que dói no real do corpo. Queima o peito, sente-se a alma dilacerando. Mas não se trata de nos tornarmos reféns de uma algoz que nos esmaga, mas de saber reconhecer cada vez que a sua forma de dor furacão se aproxima e, sim, se apodera de nossas forcas e capacidades de levantar momentaneamente. A dor de viver é tão viva quanto a própria vida, e é ela quem sinaliza que não estamos mortos, mas por uns momentos apenas agonizantes pelo vazio e pelo desencontro. Sentir essa dor é estar vivo, é fazer com que ela seja a alavanca para que a vida aconteça de forma sublime...sublimação da dor em ato de viver. Psicanálise pura e simples assim. Crica Viegas

O OLHAR E A SEXUALIDADE

O olhar faz parte da sexualidade, termo esse que, para a psicanálise, é muito mais abrangente do que o ato sexual. Olhar e ser olhado. Olhar o nosso próprio corpo e o corpo alheio. Desde bebês, quando sugamos o seio da nossa mãe ou seu substituto, a mamadeira, instauramos instintivamente o nosso olhar para alguém fora de nós. Esse "olhar - ser olhado" pode imprimir marcas de bons afetos ou de estranhamentos e angústias que podem ter gerado traumas, e isso se diferencia pela história de vida de cada sujeito. O que se ouviu ou viu sobre isso na tenra infância com certeza influenciou atitudes em relação a si mesmo, ao próprio sexo e o sexo do outro. Como assim? Pode ser que você tenha sido surpreendido ao entrar no quarto dos seus pais despretensiosamente quando eles esqueceram de fechar a porta e viu algo que te fez pensar algo ruim sobre isso. Porque pode ter sido flagrado e ter sido repreendido, o que, para alguns, não causa dano algum em nível psíquico; mas pode ser que ...

MINHA PAZ

não me venha com coordenadas latitudes e meridianos há muito fui condenada com olhares e atitudes de seres levianos não me venha com grafos protótipos e conselhos o que vejo não é fraco quando me projeto no espelho não me venha com receitas modos de ser e de fazer minha alma já está feita com o que ela quis escrever não me venha com modelos e prazos inconsistentes não sou afeita a fazê-los sob pena de trair meu inconsciente ele não tem tempo, passado ou presente apenas imensidão de apelos que me fazem da alma um acidentado continente deixe minha estrada em paz e siga a sua em frente Crica Viegas

O SUJEITO E A FALTA

A psicanálise se presta a apresentar a pessoa à sua própria falta e sua ausência de sentido. Todos temos essa falta que nos constitui, a qual Freud se referia como um objeto perdido a ser encontrado, sentido a ser desvendado. Lacan foi além e situou o sujeito como dividido pelo inconsciente e faltoso desde sempre, embora o desejo humano propicie encontrar durante a vida vários objetos que podem dar uma sensação temporária de completude, mas que logo volta ao estado original da falta. Porque a falta é, ela não está. Ela nasce com a gente. Cada pessoa vai perceber essa insatisfação original de uma maneira, e a psicanálise pode entrar nessa seara no intuito do sujeito se deslocar pela vida mesmo nessa falta. Ela não precisa necessariamente virar uma doença ou um transtorno, embora não seja fácil para nós lidar com ela. Não queremos nunca que haja falta, mas assim mesmo ela se apresenta em toda sua plenitude, na solidão de nós mesmos. O que nos resta é aprender que ela está ali, mas não...

O ÓDIO FAZ PARTE DE NÓS

O ódio faz parte da nossa constituição humana. A agressividade é tão pulsional, presente e verdadeira na nossa psique como o amor. Os dois parecem ter uma mesma intensidade e capacidade de nos absorver por completo. Sentir raiva faz parte dos nossos sentimentos, e ela pode ser produtiva de uma forma benéfica. Como assim? Em vários textos seus Freud falou do ódio como parte instinto humano; Lacan falou disso que sentimos desde pequenos quando chega um irmãozinho, o que ele chamou de complexo de intrusão, aquele ódio que sentimos por sermos deslocados do nosso trono de glória  pelos nossos país, que o dão ao bebê que chegou sem nos consultar. Por outro lado, a agressividade está ligada à atividade, ao impulso de realizar, não é só para dizimar o outro, embora isso seja parte dela. A nossa dificuldade em nos relacionarmos muitas vezes está relacionada a essa vontade de extinguir quem pensa diferente, por exemplo. Como as leis nos 'impedem' de matar o próximo, tomamos a tal d...

Libido, ansiedade e depressão.

É isso mesmo. Libido , essa que move nosso cotidiano. Foi o assunto de hoje num grupo virtual que administro e que a ansiedade e a depressão atingem diretamente. Mas... como começou essa história da gente começar a falar disso na vida? Por Freud ter ficado muito conhecido por inaugurar a teoria da sexualidade infantil e falar abertamente em sexualidade em sua época, passamos a achar que libido se trata só de energia para o sexo. É isso e não é. Como assim?  Libido é a nossa energia de vida. E como somos seres que possuem em si instintos (também chamado mais atualmente de pulsões), são dois os instintos/pulsões primordiais que nos governam: de vida (movimento) e de morte (repouso) . Por isso, o instinto é algo que está  por assim dizer englobado no que se chama libido. Ela é a energia que usamos para viver. Por ser uma energia que está dentro do nosso corpo e da nossa psique, a libido age diretamente na nossa vontade de fazer a vida andar. Nossa criatividade, disposição pa...