Postagens

Mostrando postagens com o rótulo teoria psicanalítica

O OLHAR E A SEXUALIDADE

O olhar faz parte da sexualidade, termo esse que, para a psicanálise, é muito mais abrangente do que o ato sexual. Olhar e ser olhado. Olhar o nosso próprio corpo e o corpo alheio. Desde bebês, quando sugamos o seio da nossa mãe ou seu substituto, a mamadeira, instauramos instintivamente o nosso olhar para alguém fora de nós. Esse "olhar - ser olhado" pode imprimir marcas de bons afetos ou de estranhamentos e angústias que podem ter gerado traumas, e isso se diferencia pela história de vida de cada sujeito. O que se ouviu ou viu sobre isso na tenra infância com certeza influenciou atitudes em relação a si mesmo, ao próprio sexo e o sexo do outro. Como assim? Pode ser que você tenha sido surpreendido ao entrar no quarto dos seus pais despretensiosamente quando eles esqueceram de fechar a porta e viu algo que te fez pensar algo ruim sobre isso. Porque pode ter sido flagrado e ter sido repreendido, o que, para alguns, não causa dano algum em nível psíquico; mas pode ser que ...

A CULPA É SEMPRE DA MÃE?

A psicanálise responsabiliza cada um por sua vida, suas escolhas e sintomas. Então não, não é tudo culpa daquela que te carregou no ventre por quase um ano: deixe sua pobre mãe fora dessa. Uma pergunta de Freud que virou frase de rede social resume bem isso: "Qual a sua responsabilidade na desordem da qual você se queixa?". É bem isso. Por isso às vezes é tão difícil fazer análise: porque a gente dá de cara com a nossa responsabilidade a cada sessão. O psicanalista não te dá dicas de vida nem receita. Ele basicamente te devolve em forma de pergunta algo que você mesmo disse, mais ou menos naquele estilo "tudo o que você disser sera usado contra você", no sentido de que a gente se desvela pela fala, faz um ato falho, um lapso de linguagem na frente do psicanalista. E tem os sonhos... putz! Parece que ressuscitam das tumbas do nosso inconsciente e ficam muitas vezes insuportáveis durante um processo de análise pessoal. Não adianta culpar os outros nem o complexo ...

COMPLEXO DE ÉDIPO

O que é isso? A gente ouve falar por aí dessa coisa de "menino gosta mais da mãe" e "menina gosta mais do pai". É isso e não é rs. A gente nasce desejando ser alimentado e sentir o calor daquela pessoa que cuida de nós desde o início. É tudo praticamente instintivo, já que mal balbuciamos sons e somos totalmente dependentes de uma outra pessoa para sobreviver. Lá pela metade do primeiro ano de vida, começamos a perceber que somos um corpo separado daquele que nos amamenta, normalmente a gente é posto na frente do espelho e ouve: "olha neném, que lindo, olha..." e muitas outras frases que, junto com as atitudes de quem nos cuida, nos fazem perceber que somos alguém diferenciado. Isso vai amadurecendo até que lá pelo segundo, terceiro ano de vida, a gente começa novos processos de identificação com o pai, com a mãe, e isso é tão complexo e tão de cada um que vários fatores incidem nisso. O menino começa a perceber que a mãe não é só sua, tem que divi...

O ÓDIO FAZ PARTE DE NÓS

O ódio faz parte da nossa constituição humana. A agressividade é tão pulsional, presente e verdadeira na nossa psique como o amor. Os dois parecem ter uma mesma intensidade e capacidade de nos absorver por completo. Sentir raiva faz parte dos nossos sentimentos, e ela pode ser produtiva de uma forma benéfica. Como assim? Em vários textos seus Freud falou do ódio como parte instinto humano; Lacan falou disso que sentimos desde pequenos quando chega um irmãozinho, o que ele chamou de complexo de intrusão, aquele ódio que sentimos por sermos deslocados do nosso trono de glória  pelos nossos país, que o dão ao bebê que chegou sem nos consultar. Por outro lado, a agressividade está ligada à atividade, ao impulso de realizar, não é só para dizimar o outro, embora isso seja parte dela. A nossa dificuldade em nos relacionarmos muitas vezes está relacionada a essa vontade de extinguir quem pensa diferente, por exemplo. Como as leis nos 'impedem' de matar o próximo, tomamos a tal d...

Ideal do Eu e Eu Ideal...o que é isso?

Aquela frase "nenhum homem é uma ilha" bem que poderia ter sido dita por Freud. Não foi. Foi o poeta inglês John Donne no século XVII. Mas nem por isso ela não deixa de ser uma verdade psicanalítica. Nascemos em sociedade. Vivemos em grupos. Construímos nossa identidade, portanto, a partir do outro. Já de saída lidamos com expectativas das pessoas mais próximas que nos fazem as funções parentais, esse conjunto de projetos e esperancas em nós que chamamos em psicanálise de Ideal do Eu. Esse nosso Eu se vê desde a tenra idade pressionado a dar conta do desejo de outros. Já nascemos com nome, carreira idealizada, vida projetada. E não é fácil, porque não há um ser no mundo que consiga alcançar esse Ideal plenamente. Crescemos e vamos saindo do primeiro grupo a que pertencemos para formar outros grupos, laços e ter outros projetos. A educação da família, a escola, as convenções sociais, tudo isso se junta a aspirações e visão de nós mesmos que vamos formando, aquilo que quer...