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A ILUSÃO DO NINHO CHEIO

A gente que é mãe de mais de um carrega umas ilusões. Como a gente passa praticamente duas décadas com a "casa cheia e barulhenta", isso vira um padrão pra gente. E a gente acha que será assim indefinidamente, e não aprende a viver no silêncio. A gente também acha que os filhos serão sempre próximos uns dos outros, os melhores amigos. Pode ser e pode não ser. Esquecemos que também existe ciúme, diferença enorme de temperamentos, do outro ser o preferido, e isso ao longo da vida pode não deixar nascer entre eles a amizade inabalável que a gente romantiza. A gente  acha que sempre nos pedirão orientação, conselhos sobre o que fazer na e da vida, e a verdade é que a vontade de autonomia na maioria das vezes fala mais alto, e podemos nos sentir esquecidos quando na verdade é a vida seguindo o seu curso. Mas isso não quer dizer que a gente não sofra, porque comeca um período de adaptação que a gente não solicitou, o de como começar a viver sem eles. A gente tem  a ilusão de qu...

FELICIDADE COMO AFRONTA

"A grama do vizinho é sempre mais verde". A gente acredita nessa frase muito mais do que pensa e vive isso como filosofia de vida mesmo sem se dar conta. A verdade é que, muitas vezes, a felicidade do outro nos incomoda, dá um certo desconforto. Um sorriso amarelo. Por quê? Simples: a gente sente inveja. A era das redes sociais elevou isso à milionésima potência: festival de selfies, fotos de cenários paradisíacos, festas e diversão. Muita coisa fabricada, mas muita coisa real também. Porque nesse mundão de meu Deus também existe gente feliz, que se aceita, que tem um relacionamento amoroso legal, ou uma carreira maneira, é bom filho e filha, bom irmão e irmã, bom pai e boa mãe. Mas a gente projeta nossa rejeição e falta de amor narcísico e acha impossível "alguém ser feliz assim", como se felicidade fosse ausência de problemas ou contas a pagar. Isso todo mundo tem, e tem gente que consegue ser feliz apesar da vida. Se a felicidade do colega parece uma afront...

RELACIONAMENTO E REDES SOCIAIS

A era da internet chegou, é um fato. Não tem como voltar ao que o mundo era antes disso. Mas o ser humano ainda é feito de afeto e não de chip, e temos que ter cuidado porque podemos estar lidando com nossos relacionamentos como se o outro fosse só um perfil do Facebook ou do Instagram. A rede social encurtou distâncias, lógico, e já reencontramos muita gente que fez a nossa vida melhor em nossos tempos passados e aquela alegria boa volta a cada conversa. Esses reencontros são fantásticos e cheios de emoção. Mas cada um continua sua vida na sua outra cidade ou país. Ponto. Agora, parece que estamos usando a mesma lógica em relacionamentos próximos, e até nos muito próximos. Casais fazendo DR via Whatsapp, pais que só conseguem falar com filho via internet, eles na sala e o filho no quarto. Casais sentados no sofá conversando via celular. O que está acontecendo com a gente?  Vamos tratar assuntos pessoais e delicados sem o cara a cara porque estamos com preguiça ou sem corage...

VERDADES E MENTIRAS

Nascemos e somos criados ouvindo e vivendo uma história familiar particular. A partir dela, construímos muito do que somos e da nossa visão de mundo, seja pra reafirmar ou pra negar o que vivemos e os exemplos familiares que tivemos. A gente muitas vezes não se dá conta das mentiras que estruturam nosso "romance familiar", eufemismos e panos quentes colocados sobre palavras e feridas e passamos a agir como se nunca tivessem existido ou sido ditas. Temos o nosso próprio cemitério emocional, onde jazem restos mortos de nós mesmos, mas com um único inconveniente: esses restos mortos falam. Falam do que não queremos saber mas já sabemos de cor, gritam o que queremos silenciar e movimentam o que queremos anestesiar. Às vezes funciona e nosso cemitério mentiroso e silencioso está lá com a grama verde e lápides limpinhas sob um lindo sol. Mas tem hora que  vem a tempestade,  os túmulos internos se revolvem e somos tomados pela angústia e medo da escuridão. A questão é: o que n...