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Sobre a vida e suas dificuldades

Sou a única em minha família que entrou num doutorado. Se vou sair viva dele, é outra história rs... Como uma pessoa introspectiva de nascença (minha mãe sofreu um retraimento no útero na hora do parto  ao invés de expulsar o bebê e isso afetou a minha maneira de ser desde então), sempre fui quieta (passei raspando centímetros do autismo) e boa aluna. Detestava a escola. Porque eu não socializava. Mas amava estudar. Por ser muito pobre, a minha alegria era me trancar na biblioteca pública e ler tudo o que eu podia. Nunca consegui aprender matemática, física e química. Mas português, redação, literatura e história eu amava. E era isso que eu ficava degustando nas horas a fio naquela pequena biblioteca num canto da praça da cidade. Quando soube que foi demolida e deu lugar a um anfiteatro, me doeu como se tivesse perdido alguém querido  ... Estudei muito, incentivada por minha mãe, que não queria que eu tivesse que ser dona de casa por falta de opção. Me tirava da cozinha ...

O início, o fim e o meio

A frase de Raul Seixas traduz bem o momento. Fim de férias, início de ano e no meio um monte de atividades que já nos perseguem igual a um sonho recorrente. Muitas atividades. Muitos livros pra ler. Tenho pelo menos 10 na lista dos atrasados. Mais uns 358 na fila dos "a ser adquiridos". Acabou a folga. Se bem que eu não tive folga. Então nem acabou. Apenas o calendário virou, mas os mesmos livros, contas, problemas de família e a gastrite de 30 anos continuam comigo no ano novo. Mas tá bom (ou não). 2015 foi um ano brabo, cansativo, onde pude exercitar a esperança, a fé e o amor. Tudo o que eu coloquei no post anterior a esse. Um ano de provas e crescimento que seguirão seu curso esse ano. Na lista de coisas da vida estou tentando terminar meu site. E, como toda mulher que tem marido das informáticas, é um inferno. Faz tudo pra qualquer um. Mas não sou qualquer uma e por isso fico sem mesmo. No consultório aos poucos a vida vai tomando vulto e pacientes vão chegando. Ind...

Depois que me tornei psicanalista

Sou uma jovem psicanalista. Não na idade, mas na clínica. Passei por alguns anos de estudo e quase uma década de análise pessoal, coisas que nunca mais deixaram de me acompanhar, antes de me autorizar a este ofício. (Lacan diz que o analista autoriza-se por si mesmo, algo que gera uma boa polêmica). O fato é que ter me tornado psicanalista tem me trazido poucos benefícios segundo o pensamento da nossa sociedade.  Não me tem trazido dinheiro. Pois quase dois anos na área tem sido praticamente só de investimento: análise,  supervisão, grupos de estudo e muitos livros. Ainda resolvi de cara abrir meu próprio consultório e não sublocar de outro profissional  como é a prática comum.  Acho que pela minha quase meia idade eu me sentiria desconfortável em estar num ambiente que não tivesse algo de mim. E como todo começo,  poucos pacientes ainda. Ou seja, escolhi a profissão errada para ter sucesso financeiro.  No quesito amigos não foi muito animador. Sempre...

Mãe profissional

Este post pode desinteressar. Fique à vontade. Aqui é minha opinião e ninguém é obrigado a concordar com ela. Vou falar do que ser mãe foi e é pra mim. Desde que me tornei mãe essa função tomou conta da minha vida. Não pude delegar a criação de meus filhos a terceiros, e digo que sofri uns anos com isso. Verdade. Eu me sentia presa e irrealizada. Meus filhos foram educados por mim. Nunca achei que a escola tivesse essa obrigação. Meu marido viajava muito a trabalho e ai era eu e eu mesma. Me lembro de nas tempestades onde faltava luz algumas vezes os coloquei sentados na janela da sala pra varanda pra ver as explosões, raios e trovões. "Mamãe, agora vem o barulhão!" . "E depois vem a luzona, filho...olha...brummmm". Me cagando de medo. Marido não ia chegar. Mas eu sentia que eles precisavam se sentir seguros, meus dois bebês. Perdi a conta das noites sem dormir, das festinhas chatas na escola, das apresentações de fim de ano todas iguais. Eu odiava cada uma del...