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A CULPA É SEMPRE DA MÃE?

A psicanálise responsabiliza cada um por sua vida, suas escolhas e sintomas. Então não, não é tudo culpa daquela que te carregou no ventre por quase um ano: deixe sua pobre mãe fora dessa. Uma pergunta de Freud que virou frase de rede social resume bem isso: "Qual a sua responsabilidade na desordem da qual você se queixa?". É bem isso. Por isso às vezes é tão difícil fazer análise: porque a gente dá de cara com a nossa responsabilidade a cada sessão. O psicanalista não te dá dicas de vida nem receita. Ele basicamente te devolve em forma de pergunta algo que você mesmo disse, mais ou menos naquele estilo "tudo o que você disser sera usado contra você", no sentido de que a gente se desvela pela fala, faz um ato falho, um lapso de linguagem na frente do psicanalista. E tem os sonhos... putz! Parece que ressuscitam das tumbas do nosso inconsciente e ficam muitas vezes insuportáveis durante um processo de análise pessoal. Não adianta culpar os outros nem o complexo ...

O SUJEITO E A FALTA

A psicanálise se presta a apresentar a pessoa à sua própria falta e sua ausência de sentido. Todos temos essa falta que nos constitui, a qual Freud se referia como um objeto perdido a ser encontrado, sentido a ser desvendado. Lacan foi além e situou o sujeito como dividido pelo inconsciente e faltoso desde sempre, embora o desejo humano propicie encontrar durante a vida vários objetos que podem dar uma sensação temporária de completude, mas que logo volta ao estado original da falta. Porque a falta é, ela não está. Ela nasce com a gente. Cada pessoa vai perceber essa insatisfação original de uma maneira, e a psicanálise pode entrar nessa seara no intuito do sujeito se deslocar pela vida mesmo nessa falta. Ela não precisa necessariamente virar uma doença ou um transtorno, embora não seja fácil para nós lidar com ela. Não queremos nunca que haja falta, mas assim mesmo ela se apresenta em toda sua plenitude, na solidão de nós mesmos. O que nos resta é aprender que ela está ali, mas não...