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Um pequeno retrato nosso

"Nunca um prefeito pensou tanto no coletivo sem fazer concessões. Marta, que também revolucionou o transporte coletivo em sua gestão, fazia concessões como a construção do túnel Rebouças, por exemplo. Haddad não. Fez aquilo que se faz em toda cidade grande de primeiro mundo, criou dificuldades para os carros e investiu nas bicicletas. Mas como convencer pessoas que foram criadas com a ideia de que carro simboliza o ápice do sucesso e que entram em prestações eternas para ter conforto e demonstrar algum tipo de ascensão social a andar de bicicleta? Um vídeo que circulou nas redes sociais mostra uma bicicleta andando mais rápido do que um carro na Marginal Pinheiros. Em outros lugares do mundo, isso faria as pessoas largarem o carro. Aqui, muda-se de prefeito". O texto completo está  aqui . Peguei esse trecho pois acho que ele resume bem o artigo, disponível ai pra quem quiser ler. Estava andando pelo facebook e me deparei com essa matéria falando sobre a provável derrota...

Voltando ao normal...será?

Depois de um dos quinze dias mais acelerados dos últimos anos parece que finalmente meu segundo semestre começa. Reformei minha velha casa (só por dentro ainda) e me mudei há pouco mais de duas semanas. Abri meu próprio consultório. Mas antes de tudo se concretizar eu esperei. Esperei. Esperei muito. E esperar pra ansioso é o mesmo que passar fome pra quem tá de dieta. Um sacrifício. Infernal. Esperei intensamente a volta do meu filho que foi fazer intercâmbio na Alemanha em fevereiro de 2014. Ele já é adulto. Tem 23 anos. Meu primogênito. Mas sou uma mãe que engole a cria. Lacan  que me ature. Mãe sempre quer filho pro perto. Não sou diferente de ninguém. Tô falando das mães de verdade, não de quem tem filho e terceiriza por vontade própria tudo o que diz respeito à criança. Sei que tem muitas que precisam terceirizar. A estas minha homenagem, pois são heroínas em dupla jornada de vida. Bom, mas tava falando da espera. Esperei muito por esse menino. Na minha cabeça ele não...

Dia dos Pais

Esse é o fim de semana dos pais. Quem tem o seu, por favor aproveite. O meu não se deixou ser aproveitado pelos filhos. Não quis. Isso foi o que pensei por anos. Mas ele não pode. Alcoólatra desde os 13 anos. Dá pra imaginar o estrago que isso faz na vida de um ser humano e sua família. Mas a verdade é que como filho a gente só se sente rejeitado, na infância não tem como elaborar isso nem ter nenhuma compreensão da profundidade do problema. E por não deixar a gente se aproximar ele sempre foi sozinho. Herdei essa forte sensação de solidão. Filhos de pais alcoólatras têm poucas lembranças da infância. Pelo menos das boas. Não têm as boas recordações de aniversário, Natal, Páscoa...Essas datas são sempre um martírio pois a pessoa se embriaga e estraga a festa. Ou nem acontece a festa se a pobreza material não permite nem a comida do dia a dia, que dirá festas. Filhos de pais alcoólatras acham todas as garrafas de bebidas lindas. Talvez pra tentar entender a sedução que aquilo ex...

O que faz um psicanalista?

Digo que ele começa fazendo mais. Pega na mão do paciente (metaforicamente) e vai com ele a seu destino mostrando as paisagens do percurso. O destino, antes incerto, escuro e assustador, tende a ir se modificando à medida que o analisando se compromete e se esforça em ver os detalhes das paisagens pelo caminho. A viagem começa numa estação conhecida, mas que não era percebida em suas especificidades anteriormente. O analisando vê que uma parede enorme, por exemplo, na verdade tinha uma porta que ele não via, mas estava bem na sua frente todo aquele tempo. Mas quem vê são seus olhos, não os do analista. O que este faz é apenas sugerir que ele olhe novamente para aquele muro e diga o que vê. Às vezes são necessárias várias novas miradas para que as ranhuras, o desgaste do concreto e a porta inédita no imaginário sejam vistos. Conforme o analisando vai enxergando as particularidades do percurso, ele vai soltando, sem perceber, a mão do analista. Já se move no ambiente sem precisar de ...

Glorificação da barbárie

Esses dias eu li num artigo onde não me lembro mais sobre o filme Tropa de Elite.  Nele falava  da vergonha que o Wagner Moura tem de ter feito esses filmes (foram dois). Porque o tiro saiu pela culatra, com perdão do trocadilho: ele esperava que fosse gerar uma revolta da sociedade diante de tanta violência na tela, mas não. O público aplaudiu de pé a guerra e a brutalidade. Aliás, nem sei se essa informação sobre a vergonha do ator é verdadeira, mas me deixou pensando caso seja. Não estou aqui defendendo bandido nem dizendo que a polícia é santa, pois as duas afirmativas estão erradas. Estou apenas tentando refletir sobre o resultado totalmente contrário ao que se esperava de um filme como esse. Ao que parece, aconteceu uma glorificação da barbárie que acontece dos dois lados dessa moeda chamada relação entre a polícia de elite e o poder paralelo que governa as favelas. Favelas sim, porque acho comunidade um termo construído para amenizar a realidade que se vive ali, já qu...

Antiautoajuda para 2015

"Não tenho certeza se esse ano vai acabar. Tenho uma convicção crescente de que os anos não acabam mais. Não há mais aquela zona de transição e a troca de calendário, assim como de agendas, é só mais uma convenção que, se é que um dia teve sentido, reencena-se agora apenas como gesto esvaziado. Menos a celebração de uma vida que se repactua, individual e coletivamente, mais como farsa. E talvez, pelo menos no Brasil, poderíamos já afirmar que 2013 começou em junho e não em janeiro, junto com as manifestações, e continua até hoje. Mas esse é um tema para outra coluna, ainda por ser escrita. O que me interessa aqui é que nossos rituais de fim e começo giram cada vez mais em falso, e não apenas porque há muito foram apropriados pelo mercado. Há algo maior, menos fácil de perceber, mas nem por isso menos dolorosamente presente. Algo que pressentimos, mas temos dificuldade de nomear. Algo que nos assusta, ou pelo menos assusta a muitos. E, por nos assustar, em vez de nos despertar, ane...

Ano Novo e mais do mesmo

Ano terminando e não tem muito jeito: todas as rodas de conversa incluem o assunto "o que vc não realizou?" "Que meta vc não conseguiu cumprir?". Somos guiados pelo calendário e queremos estar quites com o universo a cada dia 31 de dezembro. Ainda bem que isso não é possível. O quê? Pagar todas a dívidas com a vida. Graças a Deus deixamos coisas pendentes, não realizamos tudo que pretendemos, senão não teria a menor graça. Peraí. Não tô aqui fazendo o discurso da derrota nem aplaudindo o comodismo. Apenas dizendo que quando deixamos de desejar, paramos de viver. Mesmo que continuemos existindo. O desejo é o que nos move. Quando desejamos nosso corpo e mente se juntam no esforço de alcançar o objetivo. Sabe o atleta? Nessa vibe. Ele se supera para alcançar milésimos, e a cada um ele comemora como se tivesse nascido de novo. Isso precisamos aprender com os atletas. A nos orgulharmos das pequenas conquistas, essas que fazem o nosso cotidiano. Claro que as grandes...